O que esperar desse blog...

Depois de muitas mudanças na minha maneira de ver o mundo, comecei a refletir sobre um ponto em especial: a educação, especialmente a educação matemática. Decidi então fazer esse blog para organizar e dividir as minhas idéias, críticas e sugestões. Sapere Aude (ouse saber): esse é um grande desejo que tenho hoje para mim e para o Brasil, que um dia deixemos de ser esses Homo stultus (homem estúpido - tradução livre) para finalmente sermos verdadeiros Homo sapiens!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Moderação (ou, calma, não me queimem vivo!)

Antes de qualquer problema, quero deixar claro que não acho que está TUDO errado na educação/educação matemática. Longe de mim achar que com os meus poucos anos de vida tenho alguma autoridade diante de séculos de conhecimento em constante evolução (ou assim espero).


Aprendi muito graças aos meus professores (possuo muitas críticas a alguns em especial, que nos tratavam como seres ignóbeis e acéfalos, incapazes de entender qualquer demonstração, nos fazendo decorar fórmulas e métodos de resolução que só fui entender muito depois, ou ainda não entendi... mas não nego o fato de terem me ensinado muito). Acredito, entretanto, que alguns pontos importantes precisam ser repensados, professores melhor formados, e alunos mais incentivados pelos pais a aprender (nada melhor do que o exemplo como grande incentivo!).

Nada além disso. Repito: não acho que está tudo errado, mas sempre pode melhorar!

E como sempre:
Sapere aude!

Título (ou, de onde veio esse título pseudo-intelectual)

"Sapere aude" (ouse saber) era uma frase que um dos meus professores de história sempre colocava em suas provas. Sempre tive muitas críticas ao colégio de maneira geral, mas esse professor de história (matéria que aprendi a admirar muito graças a ele) eu guardo como um dos professores mais importantes na minha formação pessoal.

Essa maneira de pensar me parece muito pouco comum nos dias atuais (talvez, não só nos dias atuais, mas isso é outro problema...). É muito mais cômodo (pelo menos aparentemente) não buscar aprimorar seus conhecimentos a cada novo dia, questionar, mudar, ouvir. Afinal de contas, a escola é, para muitos, nada mais que um martírio que nossos pais nos forçam a enfrentar por anos a fio, ou o lugar que vamos para nos encontrar com nossos amigos para ouvir uma pessoa que acha que sabe o que é importante nessa vida (e ela realmente acredita que brincar e se divertir não são o ponto principal, e que devemos decorar milhares de fórmulas, nomes, datas, etc.)

Nossos professores (agora mais especificamente de matemática) aprenderam a ensinar da forma como foram ensinados e não como o conhecimento foi produzido. Acredito que seja importante nos questionarmos quanto ao motivo de quase ninguém gostar de matemática, sendo que o pensamento lógico, que dizemos ser uma característica do Homo sapiens, é muito ligado a ela.


Meu pensamento costuma ser bastante confuso (acredito que o seu, amigo leitor, também seja), mas espero que ao longo dos próximos posts ele fique um pouco mais claro.

Resumindo, o ponto principal é: questionar e aprimorar.

E que venham os próximos posts!

Sapere aude!

Motivação (ou, por que escrever um blog sobre educação?)

Ano passado (2010) tive uma experiência que me mudou em muitos aspectos: dei aulas de matemática em um cursinho popular na comunidade de São Remo (ao lado da USP) - São Paulo, SP.


Começamos com aproximadamente 12 alunos e 10 professores. Ao longo do ano, por diversos fatores, muitos não puderam continuar e terminamos com 3 alunos e aproximadamente 5-7 professores.

Não vou entrar na discussão com relação aos números acima. Esse não é o ponto desse post (quem sabe futuramente).


Nas primeiras aulas fiquei espantado com o déficit de conhecimento matemático (não só matemático, mas vou me ater a isso por ora). Depois disso surgiu uma revolta, como era possível alguns terem o privilégio de aprender tanto (eu incluso) e outros simplesmente nem sabiam que não sabiam quase nada (ok, isso é relativo, eu também não sei quase nada)?! O próximo passo foi enxergar que mesmo a forma como eu aprendi (e aprendo) matemática, parece ser um tanto equivocada se comparada à maneira como o conhecimento matemático é construído (falo mais sobre isso em outros posts). Finalmente cheguei a quais consequências (é triste não escrever mais conseqüência) são geradas por esse método de ensino matemático para a sociedade de forma geral, e é nesse ponto que me encontro hoje.

Tenho pensado sobre muitas dessas coisas, discutido com amigos, reformulando e revendo muitas opiniões, e é sobre isso que pretendo falar nos próximos posts.
Que fique claro, sou somente um estudante de Ciências da Computação, jovem, inexperiente e idealista em muitos aspectos tentando entender e melhorar o país e a mim mesmo.

Sapere aude!